

Taxação sobre importados derruba volume de encomendas e aprofunda déficit bilionário dos Correios
A nova política de taxação sobre compras internacionais implementada pelo governo federal teve um efeito colateral significativo: aprofundou o rombo financeiro dos Correios. A estatal encerrou 2024 com um prejuízo de R$ 2,13 bilhões — representando metade de todo o déficit das estatais federais no período — e entrou em 2025 em ritmo de desaceleração […]

A nova política de taxação sobre compras internacionais implementada pelo governo federal teve um efeito colateral significativo: aprofundou o rombo financeiro dos Correios. A estatal encerrou 2024 com um prejuízo de R$ 2,13 bilhões — representando metade de todo o déficit das estatais federais no período — e entrou em 2025 em ritmo de desaceleração nas receitas.
A partir de agosto de 2024, a tradicional isenção para compras internacionais de até US$ 50 foi substituída por uma alíquota de 20%, somada ao ICMS estadual, que subiu de 17% para 20%. Com isso, a carga tributária efetiva sobre produtos importados passou a se aproximar de 50% em muitos casos, provocando uma queda acentuada no volume de encomendas vindas do exterior — especialmente aquelas processadas pelos Correios, que ainda concentram grande parte da logística internacional no Brasil.
Segundo o presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, o impacto direto das novas regras sobre a movimentação de pacotes internacionais foi estimado em R$ 2,2 bilhões, contribuindo decisivamente para o déficit total de R$ 3,2 bilhões no balanço da empresa. O segmento de entregas de pequeno valor, impulsionado por plataformas como Shopee, Shein e AliExpress, vinha sendo um dos poucos a apresentar crescimento nos últimos anos. Com a queda na demanda, os Correios perderam uma fonte vital de receita.
Empresas de e-commerce internacionais também reagiram negativamente, apontando que o aumento da carga tributária afastou consumidores brasileiros, especialmente nas faixas de menor renda. Com isso, a estatal foi duplamente penalizada: perdeu fluxo de encomendas e viu seu modelo de negócios afetado justamente quando tentava se reposicionar no mercado de logística diante da concorrência privada.
O cenário acende um alerta para o futuro dos Correios, que enfrentam dificuldades para se modernizar e manter competitividade. A depender do desempenho ao longo de 2025, novas reestruturações podem ser necessárias, inclusive com o risco de redução de serviços em áreas menos rentáveis — o que afetaria principalmente as regiões do interior e municípios mais afastados dos grandes centros urbanos.
A medida que visava aumentar a arrecadação e proteger o comércio nacional acabou, por ora, criando um vácuo na logística pública. O desafio agora é equilibrar a balança entre arrecadação, acesso ao consumo e a sobrevivência da principal estatal de entregas do país.

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